O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta-feira (20) que seu país não está perdendo a guerra contra as forças russas, rechaçando a narrativa de capitulação diante de pressões externas. Em um momento de alta tensão diplomática, o mandatário revelou a retomada de territórios no sul e condicionou qualquer trégua à presença física de soldados de países aliados diretamente na linha de combate.
Avanços no front e a resistência de Kiev
Em entrevista exclusiva à AFP, concedida às vésperas do quarto ano da invasão em larga escala, Volodymyr Zelensky destacou que as forças de defesa conseguiram libertar cerca de 300 quilômetros quadrados em operações recentes. Embora não tenha detalhado o cronograma dessas conquistas, o anúncio serve como um contraponto às recentes investidas de Moscou contra a infraestrutura energética ucraniana, que deixaram milhões de civis sem luz e calefação sob temperaturas severas.
O líder ucraniano admitiu que a vitória final é um desafio “custoso”, mas descartou qualquer possibilidade de ceder territórios como a região do Donbass em troca de um acordo de paz imediato. Essa postura confronta diretamente as sugestões vindas de Washington e Moscou, que buscam encerrar o conflito através de concessões geográficas por parte de Kiev.
O impasse político e a pressão de Washington
A estratégia de paz desenhada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos tem gerado atritos nos bastidores. Além da pressão para a entrega de territórios ricos em minerais no leste, a administração americana insiste na realização de eleições presidenciais na Ucrânia. Para Zelensky, essa exigência é uma manobra russa para desestabilizar o país e removê-lo do cargo enquanto o estado de guerra ainda impede a votação democrática de milhões de refugiados e cidadãos em áreas ocupadas.
Zelensky argumenta que o efeito de um pleito agora seria “destrutivo” para a unidade nacional. Ele alega que Vladimir Putin deseja uma troca de comando em Kiev para facilitar a anexação definitiva de áreas fortificadas em Donetsk e Lugansk. A resistência ucraniana em realizar eleições antes do fim das hostilidades é um ponto de discórdia que trava avanços em cúpulas diplomáticas como a ocorrida recentemente em Genebra.
Exigências militares e garantias de segurança
Um dos pontos mais polêmicos levantados pelo presidente ucraniano nesta semana é a exigência de que tropas da União Europeia ou da OTAN sejam posicionadas na linha de frente no caso de um eventual cessar-fogo. Zelensky quer garantias de segurança robustas que vão além de tratados no papel, sugerindo que apenas a presença física de contingentes internacionais poderia dissuadir uma nova ofensiva russa no futuro.
A utilização da rede Starlink também entrou no radar analítico, com relatos de que interrupções no sistema de Elon Musk teriam impactado ambos os lados do conflito. Apesar dos desafios técnicos e das baixas militares significativas, o governo ucraniano mantém a narrativa de que o impacto geopolítico da guerra ainda pode ser revertido, desde que o apoio militar ocidental não seja substituído por pressões por rendição.
O que esperar daqui para frente
A tendência para os próximos meses é de um endurecimento nas negociações territoriais, com a Ucrânia tentando consolidar os ganhos no sul antes que a pressão internacional por um acordo se torne insustentável. O desfecho da guerra permanece em aberto, mas a exigência de tropas estrangeiras no front pode elevar o risco de uma confrontação direta entre a Rússia e o Ocidente, algo que os líderes europeus têm tentado evitar desde o início da invasão em 2022.
As informações são baseadas em apuração publicada por: G1
