O governo do Irã confirmou nesta sexta-feira (20) que as recentes negociações nucleares em Genebra não incluíram a exigência de “enriquecimento zero” por parte dos EUA. O movimento sinaliza uma mudança de postura diplomática que pode evitar uma escalada militar imediata na região, impactando diretamente a estabilidade dos mercados globais.
O que aconteceu e por que isso importa
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, revelou que o diálogo com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner entrou em uma fase técnica decisiva. Segundo o chanceler, o foco atual não é a interrupção total das atividades nucleares, mas sim o estabelecimento de garantias internacionais de que o programa permanecerá estritamente pacífico.
Essa distinção é fundamental para a diplomacia internacional. Ao não exigir o fim total do enriquecimento de urânio, a administração de Donald Trump abre espaço para um acordo que preserve a soberania técnica iraniana em troca de uma supervisão rigorosa. Para a comunidade global, o sucesso dessas conversas representa a principal via para conter o aumento da presença militar americana no Oriente Médio.
Contexto geopolítico e pressão de Washington
A flexibilização nas exigências de enriquecimento ocorre sob uma forte pressão cronológica imposta pela Casa Branca. Na última quinta-feira, o presidente americano estabeleceu um prazo de até 15 dias para que Teerã aceite os termos de um novo pacto. Caso contrário, o país enfrentará consequências severas, descritas pelo republicano como “coisas muito ruins”.
A estratégia de “pressão máxima” combinada com janelas de oportunidade diplomática é uma marca da política externa atual. Enquanto o Irã busca o alívio das sanções econômicas que asfixiam sua economia, os Estados Unidos tentam consolidar uma vitória geopolítica rápida, utilizando a presença de figuras de confiança do presidente, como Kushner, para acelerar os trâmites que governos anteriores não conseguiram finalizar.
Impacto diplomático e medidas de confiança
Para viabilizar o tratado, o governo iraniano propõe a implementação de “medidas de construção de confiança”. Essas ações envolveriam verificações técnicas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e compromissos políticos formais. Em contrapartida, Teerã exige um cronograma claro para a retirada de embargos financeiros e petrolíferos.
A expectativa é que uma minuta do acordo seja apresentada nos próximos três dias. Analistas internacionais observam que a ausência da cláusula de “enriquecimento zero” facilita a aceitação interna do acordo pelo regime de Teerã, diminuindo a resistência de alas mais conservadoras que veem a tecnologia nuclear como um ponto de honra nacional.
O que esperar daqui para frente
O cenário para as próximas semanas é de diplomacia intensiva sob sombra militar. Embora Abbas Araqchi demonstre otimismo, afirmando que um consenso está “ao alcance”, a movimentação de tropas e ativos navais dos EUA no Golfo Pérsico mantém o alerta máximo. A tendência é que, se o texto final for validado na próxima semana, ocorra uma imediata descompressão nos preços das commodities energéticas.
O desdobramento mais provável é a formalização de um protocolo de monitoramento intrusivo em troca de uma suspensão gradual das sanções. Se concretizado, este acordo poderá redefinir as relações de poder no Oriente Médio, isolando grupos extremistas e priorizando a estabilidade econômica regional através de canais diplomáticos diretos entre Washington e Teerã.
As informações são baseadas em apuração publicada por: CNN Brasil
