A Polícia Metropolitana de Londres confirmou nesta sexta-feira (20) a abertura de uma nova frente de investigação sobre o caso Epstein, focada no possível uso de aeroportos britânicos para o tráfico de pessoas. O desdobramento ocorre em uma semana de alta tensão diplomática, marcada pela detenção do ex-príncipe Andrew, irmão do rei, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público.
O que aconteceu e por que isso importa
A nova fase da apuração britânica foi motivada pela liberação de milhões de documentos judiciais pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo a Scotland Yard, as evidências sugerem que a infraestrutura aeroportuária da capital inglesa pode ter servido como rota logística para a rede de exploração comandada pelo financista Jeffrey Epstein. A colaboração com agências de inteligência americanas foi intensificada para rastrear o fluxo de vítimas e facilitadores em solo europeu.
A gravidade da situação reside na possível conivência de autoridades ou falhas críticas de segurança em terminais de alta circulação. Além disso, a polícia está convocando ex-agentes que atuaram na segurança da realeza para verificar se houve omissão deliberada durante as viagens de Andrew para propriedades ligadas a Epstein. O caso fere a credibilidade das instituições britânicas e coloca o governo sob escrutínio internacional.
Contexto geopolítico e histórico do escândalo
A relação entre a monarquia britânica e o submundo de Jeffrey Epstein não é recente, mas ganhou contornos criminais severos após a morte do financista em 2019 e o suicídio da testemunha central Virginia Giuffre, em 2025. O ex-príncipe Andrew já havia sido destituído de seus títulos militares e patrocínios reais pelo rei Charles III no ano passado, em uma tentativa de isolar a Coroa do escândalo.
No entanto, a investigação atual vai além de questões de imagem. A Polícia do Vale do Tâmisa apura se o nobre utilizou seu antigo cargo de representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional para vazar relatórios sigilosos a Epstein. Essa suspeita de traição institucional e uso indevido de informações confidenciais é o que sustenta a tese de má conduta pública, um crime que pode levar à prisão perpétua na legislação local.
Impacto na monarquia e reação internacional
A prisão de Andrew, confirmada pela própria família real após cerca de 11 horas de depoimento na última quinta-feira, representa um ponto de ruptura sem precedentes. O monarca, embora preocupado, declarou que apoia as investigações e que não oferecerá privilégios reais que possam obstruir a justiça. Isso inclui permitir buscas em dependências do Palácio de Buckingham, caso as autoridades considerem necessário para a coleta de provas.
A reação internacional tem sido de vigilância, especialmente por parte de organismos de defesa dos direitos humanos e governos aliados que combatem o tráfico humano. A imagem do país como um centro financeiro e logístico seguro está em xeque. Internamente, o príncipe William e a princesa Kate expressaram “profunda preocupação”, sinalizando que a nova geração da monarquia busca se distanciar completamente de qualquer sombra deixada pelo envolvimento de membros da família com redes de abuso.
O que esperar daqui para frente
As buscas em endereços ligados ao ex-príncipe, como o Royal Lodge em Berkshire e propriedades em Norfolk, devem se estender até a próxima segunda-feira (23). A polícia ainda avalia a necessidade de mandados de busca para unidades de armazenamento privadas. Enquanto o suspeito nega todas as acusações de agressão sexual e vazamento de dados, a pressão popular por transparência cresce no Parlamento britânico.
Nos bastidores, analistas avaliam que a tendência é de um isolamento total e definitivo do ex-nobre. O desdobramento diplomático pode afetar acordos de cooperação jurídica com os Estados Unidos, caso novas figuras influentes do Reino Unido apareçam nos arquivos de Epstein. A curto prazo, espera-se que a polícia faça um apelo público para que novas testemunhas de tráfico de mulheres em aeroportos londrinos se apresentem, o que pode expandir o número de réus no processo.
As informações são baseadas em apuração publicada por: G1
